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Ainda tenho esperança de um dia, quem sabe não muito distante, de pegar um copo e me dirigir até qualquer torneira conectada à rede uma rede pública, e ali enchê-lo com água de pureza inquestionável. Assim, como o fizemos em 2014, no evento mundial da IWA, realizado em Lisboa, Portugal. Sim, logo na entrada do evento fomos saudamos com uma mensagem informando que este seria o primeiro evento em que a toda água disponível vinha diretamente da rede pública, e que poderia ser tomada sem qualquer receio, como já o fazia toda população lisboeta. Sim, água pura diretamente das torneiras/redes para o consumo humano. Sem reservatórios e ou caixas d’água.


E por que não assim não procedemos por aqui? Por que temos que comprar água engarrafada, apesar de tê-la disponível em nossas torneiras? Falta de confiança? Efeitos das propagandas das empresas produtoras/engarrafadoras? Por que a necessidade de filtros para água, que em tese nos é vendida, sim, vendida, como potável?

Há muitas explicações e justificativas, de ambos os lados. Os produtores, apresentando laudos e exames técnicos atestando a qualidade e os usuários/consumidores afirmando o contrário, mas sem muita, ou quase nenhuma base técnica. E aí fica o jogo de empurra.


Não é difícil afirmar, mesmo sem uma base acadêmica comprovatória, que uma das vertentes é a descrença do cidadão nos serviços públicos, como um todo. Outro motivo, e esse é bem brasileiro, é a falta de manutenção e limpeza da rede doméstica e da caixa d’água. Isso para ficar só no âmbito de algumas das responsabilidades de ordem pessoal (caseira). Volto, como de início, em continuar a sonhar, ou seja, a de beber a agua que nos é vendida, através das redes públicas, sem qualquer temor ou receio. Os dez anos em que a vida me lançou nos braços do saneamento básico, me deixam, porém, um pouco longe desta sonhada realidade. E, acreditem, muito já está mudado, contudo o grande abismo ainda está presente e exigindo esforços de todos os atores envolvidos nessa faina. As inúmeras fiscalizações já realizadas e os depoimentos de muitos técnicos, deixam ainda muitas dúvidas e incertezas que devem ter uma solução mais eficaz e eficiente por muitos daqueles que estão à frente dos serviços públicos nessa área. Desde as pequenas e rotineiras ações do agir diário, como os cuidados quando das grandes intervenções nas redes e nos reservatórios, muito, muito mesmo, ainda vem sendo feito, sem as devidas e necessárias cautelas e ações de tecnicidade. É preocupante, em especial aqui no médio vale do Itajaí, onde sempre nos orgulhamos de estar um passo à frente. Sim, nossa água para o consumo humano, tida como potável quando saída dos reservatórios e nem sempre assim chegam aos pontos de consumo.


Ainda existe um caminho à ser vencido por todos aqueles que militam nessa área tão fundamental, para a existência do ser humano, desde aquela pessoa que tem sob a sua responsabilidade, como a de dosar determinado produto químico, até aquele técnico doutor, merecedor de louros, que com a sua assinatura, outorga um atestado de boa saúde à população. Sem esquecer da passagem junto às vigilâncias sanitárias, muitas vezes relegadas a um papel (infelizmente) secundário, por força de olhar equivocado. Sem deixar de citar a apatia à que fomos conduzidos e por isso deixamos de reagir e exigir serviços de qualidade. Mesmo assim, ainda sonho em poder, em futuro não muito distante, beber água da melhor qualidade, diretamente da torneira. Só para registrar, aqui na sede da AMMVI e da AGIR, em Blumenau, todos nossos bebedouros servem água diretamente, sem passar por filtros especiais. Já é um grau de confiança.



Heinrich Luiz Pasold

Diretor Geral da AGIR